Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Sonetos : VIVER A VIDA

Das agruras que a vida me deu,
Somente a esperança restou,
A mim próprio se comoveu,
E não outro por mim só aqui estou.

Tinha muito que dizer desta vida,
O quanto em mim ela me pesou,
Mas, a dada altura, ela foi vivida,
E o que era duro leve se tornou.

Ainda hoje me pergunto o porquê
De tanta incongruência assim,
Se tudo o que visionava perto se vê,

Quando descobri que é melhor viver
Do que morrer em vida aqui,
Onde cabe-nos apenas enaltecer.


 

 

Jorge Humberto

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4745

 

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publicado por anitta às 21:03
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Domingo, 22 de Junho de 2008

~ Soneto 17 ~

 

 

 

 

 

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

 

William Shakespeare

 

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publicado por anitta às 00:04
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Sábado, 24 de Novembro de 2007

A alma

 

Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando,

Se foi a nuvem de ouro ideal que eu vira erguida;

Depois que vi descer, baixar do céu da vida

Cada estrela e fiquei nas trevas laborando:

 

Depois que sobre o peito os braços apertando

Achei o vácuo só, e tive a luz sumida

Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida

A flor do meu jardim, que eu mais andei regando:

 

Retirei os meus pés da senda dos abrolhos,

Virei-me a outro céu, nem ergo já meus olhos

Senão à estrela ideal, que a luz do amor contém...

 

Não temas pois - Oh vem! O Céu é puro, e calma

E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma...

A alma! Não a vês tu? Mulher, mulher! Oh vem!

Antero de Quental

 

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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

DA ANTIGA VÉNUS

Aquela que eu adoro não é feita

De lírios nem de rosas purpurinas,

Não tem as formas lânguidas, divinas,

Da antiga Vénus de cintura estreita...

 

Não é a Circe, cuja mão suspeita

Compõe filtros mortais entre ruínas,

Nem a Amazonas, que se agarra às crinas

Dum corcel e combate satisfeita...

 

A mim mesmo pergunto, e não atino

Com o nome que dê a essa visão,

Que ora amostra ora esconde o meu destino...

Antero de Qental

 

É como uma miragem que entrevejo,

Ideal, que nasceu na solidão,

Nuvem, sonho impalpável do Desejo...

 

 

 

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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

NO CÉU

No Céu, se existe um céu para quem chora,

 Céu para as mágoas de quem sofre tanto...

 Se é lá do amor o foco, puro e santo,

 Chama que brilha, mas que não devora...

 

 

 No Céu, se uma alma nesse espaço mora,

 Que a prece escuta e enxuta o nosso pranto...

 Se há pai, que estenda sobre nós o manto

 Do amor piedoso... que eu não sinto agora...

 

 

 No Céu, ó virgem! Findarão meus males:

 Hei-de lá renascer, eu que pareço

 Aqui ter só nascido para dores.

 

 

 Ali, ó lírio dos celestes vales!

 Tendo seu fim, terão o seu começo,

 Para não mais findar, nossos amores.

ANTERO DE QUENTAL

 

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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

MULHER

 

 Porque descrês, mulher, do amor, da vida?

 Porque esse Hermon transforma em Calvário?

 Porque deixas que, aos poucos, do sudário

 Te aperte o seio a dobra humedecida?

 

  

 Que visão te fugiu, que assim perdida

 Buscas em vão neste ermo solitário?

 Que signo obscuro de cruel fadário

 Te faz trazer a fronte ao chão pendido?

 

 

 Nenhum! Intacto o bem em si assiste:

 Deus, em penhor, te deu a formosura:

 Bênçãos te mandam o Céu em cada hora.

 

 E descrês do viver? E eu, pobre e triste,

 Que só no teu olhar leio a ventura,

 Se tu descrês, em que hei-de eu crer agora?

Antero De Quental

 

 

 

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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

SONETO

 

 

 Pôs-te Deus sobre a fronte a mão piedosa:

 O que fada o poeta e o soldado

 Volveu a ti o olhar, de amor velado,

 E disse-te: «vai, filha, sê formosa!»

 

 

 E tu, descendo na onda harmoniosa,

 Pousaste neste solo angustiado,

 Estrela envolta num clarão sagrado,

 Do teu límpido olhar na luz radiosa...

 

 

Mas eu... posso eu acaso merecer-te?

 Deu-te o Senhor, mulher! o que é vedado,

 Anjo! Deu-te o Senhor um mundo à parte.

 

 

E a mim, a quem deu olhos para ver-te,

 Sem poder mais... a mim o que me há dado?

 Voz que te cante e uma alma para amar-te!

Antero de Quental

 

 

 

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