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ANITTA BARROCO

"AQUAE FLAVIAE"

"AQUAE FLAVIAE"

Diagnóstico de Natal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Finalmente encontrei-a Dr.ª Amy!
- Desculpe enfermeira May, mas estava aqui a olhar pela janela, e a ver o
quão o mundo é bonito lá fora! Estes flocos brancos a voarem sobre a natureza é
realmente um espectáculo maravilhoso!
- Oh! Eu sei no que estava a pensar, mas aqui também existem pessoas
bonitas, e tem uma para salvar!
A enfermeira May acompanhou a Dr.ª Amy até ao bloco operatório, enquanto
lhe fazia o relatório da paciente.
Quando lá chegaram, já estava tudo pronto, apenas faltava anestesiar
adoente. Esta era uma criança pequena. Embora estivesse com uma expressão
assustada via-se no seu rosto que era uma menina doce e meiga.
Um pouco antes de ser anestesiada, ela puxou a manga da bata da Dr.ª Amy
e segredou-lhe ao ouvido:
- Os meus pais vão ficar sem mim?
- Porque perguntas isso? – Questionou a enfermeira May que ouvira a
pergunta.
- Porque gosto muito deles, e não quero que eles fiquem tristes …
- Não te preocupes, porque Deus e os anjos protegem-te, lembra-te que é
Natal! – Respondeu carinhosamente Amy.
- Quem a vai proteger és tu! – Retorquiu a enfermeira. Esta não acreditava
neste tipo de coisa, como Deus e anjos, apenas achava que existia uma identidade
superior que nos controlava, e que na maior parte das vezes nos tramava a vida,
pois as coisas boas que nos aconteciam eram porque nós fazíamos com que
acontecessem, esta era uma forma de se desculpar dos erros que cometia perante
os outros e si mesma.
A menina que estava a ser operada, chamava-se Viki e tinha oito anos. Ela
estava em estado crítico, pois possuía uma doença estranha, que ainda não se
sabia ao certo as causas nem a cura. Mas teve de ser operada pois começara a
piorar.
A operação começou no fim da noite de 23 para 24 de Dezembro e
prolongou-se um pouco pela manhã. Viki já só acordou no quarto do hospital, e tão
cansada estava que voltou a adormecer.
A Dr.ª Amy já estava a trabalhar há horas, e mesmo assim ia continuar. Este
era um dos poucos Natais que passava longe da sua família e já começava a sentir
saudades.
Mas o dia nasceu lindo e maravilhoso, os raios solares penetravam por entre
os ramos das frondosas árvores, era o Sol de Inverno.
Mal acordou, Viki carregou logo no botão de chamar as enfermeiras, pois
como já estava estável apetecia-lhe conversar com alguém.
Quando a porta se abriu entrou a Dr.ª Amy, e esta logo lhe perguntou como
estava a sua doente preferida. Viki respondeu-lhe que se sentia melhor, mas não
totalmente. A médica ao estranhar a ausência dos pais perguntou-lhe onde é que
eles estavam, e a menina respondeu:
- Não sei, acho que foram ter com os meus irmãos, foram festejar o Natal …
sem mim …. Amy ao ouvir isto abraçou-a e disse-lhe:
- Não estás sozinha, eu estou aqui contigo.
O dia passou-se calmo e tranquilo.
Viki passava o tempo a olhar para a porta a ver se alguém chegava e de vez
em quando olhava pela janela a admirar os pássaros e a pensar como seria a sua
vida se fosse um deles. Pelo contrário a Dr.ª Amy variava entre o bloco operatório,
o consultório e a máquina do café.
Ao fim do dia Amy resolveu ir ao jardim buscar uma flor para Viki.
Antes de entrar no quarto disse à enfermeira que se precisassem de alguma
coisa ela estava junto de Viki, pois ia passar o Natal com ela.
Quando serviram o jantar, já o Sol se tinha deitado e a Lua tinha acordado.
Viki, ao terminar a refeição, pediu à Dr.ª Amy se podia ali ficar, e Amy
respondeu que sim. E juntas, sem querer, adormeceram.
Mas passado um pouco, a Dr.ª Amy acordou e resolveu ir ver se precisavam
dela.
Ao caminhar pelos corredores Amy observava uma estrela, que, por qualquer
motivo, irradiava uma luz mais forte que as outras. Foi ao admirá-la que se
lembrou de uma coisa, que talvez pudesse ajudar Viki. Então, correu até junto dos
seus colegas. A primeira que encontrou foi a enfermeira May.
Em seguida, começou a contar-lhe em que é que tinha pensado, mas de uma
forma tão veloz e tão científica que May não percebeu nada. Mas o Dr. Greenleaf
que estava perto e, sem querer, ouviu a conversa, percebeu tudo. Então, pegou no
braço de Amy e levou-a para o laboratório, onde juntos prepararam uma injecção
para Viki.
Quando chegou ao quarto, Amy deparou-se com toda a família de Viki à sua
volta. A Dr.ª dirigiu-se discretamente ao pé de Viki e murmurou-lhe:
- Com isto vais ficar melhor.
Ela respondeu-lhe:
- Afinal eles apareceram, mas como?
- Sabes? Não deves questionar a magia do Natal!

 

 

 

 

 

 

autor :Maria Inês Lobo Almeida

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