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ANITTA BARROCO

"AQUAE FLAVIAE"

"AQUAE FLAVIAE"

A LEITEIRA

Fresca como uma rosa e alegre como um passarinho, caminhava uma linda jovem em direcção ao mercado da cidade vizinha, com um cântaro de leite sobre a cabeça
A formosa leiteira ia vestida com a sua roupa de domingo, o seu aventalinho de cores vivas e uns lindos sapatos verdes.
O suave sol da manhã iluminava o seu lindo rosto e fazia brilhar os seus olhos sonhadores.
Ao fundo ficava a cidade, rodeada por um pequeno monte de pinheiros perfumados, que se transformavam em música suave quando o vento brincava às escondidas nas suas copas redondas.
A leiteira, com o seu cântaro sobre a cabeça, pensava no lucro que obteria quando vendesse o leite no mercado da cidade. Sempre tinha sonhado ser muito rica, possuir uma quinta repleta de animais, a casa mais luxuosa e as jóias mais reluzentes...
- Chegarei ao mercado – dizia a si mesma – e venderei o leite que levo no cântaro. É um leite muito fresco e espesso e pagar-me-ão mais do que a qualquer outra pessoa, pois não é em vão que sou a rapariga mais bonita e bem vestida de toda a região.
“Pelo leite – continuava a pensar – receberei um montão de dinheiro, poderei comprar muitas galinhas todas gordas e bonitas, com penas reluzentes e crista vermelha.
E as galinhas porão muitos ovos, que logo serão chocados...
“ Ao fim de uns dias, montes de pintainhos, com a sua penugem fina e sedosa e o seu terno “piu, piu” encherão o pátio da minha casa e serão como um grande bando de pássaros de algodão. Dar-lhes-ei grãos de trigo e sopas de pão com leite e assim, em pouco tempo, começarão a ter crista e esporões...
“Quando os frangos se transformarem em senhores galos, levá-los-ei ao mercado onde sem dúvida causarão grande admiração. Todos lutarão para os comprar, mas apenas os venderei a quem me pagar melhor...
- Não, não me deixarei enganar! – dizia já em voz alta – E com o dinheiro que me derem pelos galos, comprarei os melhores leitões, os mais gordinhos e rosados. Eu própria os alimentarei. Ficarão gordos e vistosos, com a barriga quase a roçar no chão...
“Com o dinheiro dos leitões, comprarei os novilhos mais bonitos que houver na feira, desses que têm a pele de duas cores e o cachaço suave e húmido; desses que correm pelos prados e investem com os seus chifres e que olham com uns olhos grandes e doces, que parecem de veludo...
“ E, em menos de um ano, terei a melhor quinta de novilhos de toda a região. Vendê-los-ei a pouco e
pouco, apenas a quem me pagar uma boa quantia em dinheiro por cada um deles.
Com todo esse dinheiro, mandarei construir a casa mais luxuosa de toda a comarca e comprarei os vestidos mais bonitos e as jóias mais reluzentes e...”

A ambiciosa rapariga ia assim dando rédea solta à sua imaginação, por um caminho que parecia não ter fim.

. Já se via imensamente rica quando, na realidade, tudo o que tinha era apenas um humilde cântaro de leite...
E tão depressa andou para chegar logo, logo à cidade e ver os seus sonhos realizados, que tropeçou numa pedra, perdeu o equilíbrio e zás!...
O cântaro com o seu precioso líquido caiu ao chão e ficou feito em fanicos.
Pobre rapariga. Todos os seus sonhos se tinham desfeito.
O cântaro partido; e o branco e fresco leite derramado sobre a poeira do caminho...
Adeus galinhas, frangos, leitões e novilhos! Adeus casa e vestidos! Adeus jóias e riquezas!
A rapariga contemplava com os olhos cheios de tristeza, como se algo tivesse morrido para sempre sobre a terra do caminho.
O Sol, pelo contrário, sorria no alto do céu. Sem dúvida que achava graça à ambição daquela rapariga. Mal tinha acabado de construir um enorme castelo na sua imaginação e já este tinha sido atirado por terra.

 

 

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