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ANITTA BARROCO

"AQUAE FLAVIAE"

"AQUAE FLAVIAE"

Breve história de um cancro

foto tirada 19 de janeiro 2010 dois meses depois da QUIMIOTERAPIA

 

 

O cancro da mama

O cancro da mama é a forma de cancro mais comum na mulher. As taxas de incidência têm vindo a subir na segunda metade deste século.
Calcula-se que uma em cada 10 mulheres irá desenvolver cancro da mama ao longo da sua vida.
Pois é minhas amigas. Não desanimar, é a principal terapia
Hoje faz exactamente 11 meses em que tudo se iniciou. Março de 2009 é um ano para esquecer.
Depois de um dia complicado de trabalhos em casa, enquanto dava um banhinho, reparei que na minha mama esquerda estava qualquer coisa de anormal. Um pouco alarmada tentei esquecer pensando: isto não e nada, talvez do esforço? Mas há noite ao deitar, voltei apalpar a mama e estava realmente ali o que eu logo imaginei.
Dois dias depois, dirigi-me ao centro de saúde, onde fui falar com a minha medica assistente. Ela esteve a examinar-me e disse que realmente havia qualquer coisa, mas para não me alarmar.
Daí começaram exames, Mamografia, Eco mamária, e Biopsia de agulha fina. Os resultados finais apresentavam células cancerígenas.
 
 A médica de família, mandou de imediato todos os meus exames, para o INSTITUTO DE ONCOLOGIA DO PORTO “IPO” e, passados 5 dias, aí vou eu, para a minha primeira consulta
Não vou dizer que ia cheia de medo pois na verdade já ia descontraída sabendo que as notícias não iam ser boas.
A médica no IPO foi super simpática dizendo logo abertamente que meu carcinoma era maligno, mas, teria de me submeter a segunda Biopsia para saber o que realmente ia encontrar, ou seja entre os carcinomas malignos qual deles seria “DUCTAL ou LOBULAR”. Depois de exame feito vim para casa, esperando ansiosamente os resultados.
Quando voltei para saber os resultados, fui informada que o meu carcinoma “o meu palhaço” era um Ductal grau 3. Não vou dizer que fiquei contente com a notícia, mas entre os dois fiquei mais aliviada.
Depois desta fase, eu parti para a seguinte: “a operação”. Exames e mais exames. Chegou o dia e lá fui confiante em Deus e em mim. Quando acordei, recebi uma boa notícia: só tinham extraído o meu “palhaço” - é o nome que lhe dei -, deixando ficar a minha mama. Pode não ser importante mas, para mim, foi a notícia mais importante do mundo.
Depois veio a recuperação, e uma terceira etapa a conquistar: a QUIMIOTERAPIA. De 6 tratamentos que fiz de 21 em 21 dias, só aos três últimos tratamentos é que tive medo. Fiz a Quimioterapia vermelha normal, e fiz t Quimioterapia taxotore.
 Com a vermelha veio a queda do cabelo, mas eu fico linda “carequinha”. Com a Quimioterapia taxotore veio o sindroma de mãos e pés: “ queda das unhas”, sobrancelhas e pestanas, e dores articulares, mas, mesmo assim eu sentia-me bem comigo mesma. Isso foi o mais importante nesta etapa. Não falo de mais nada da Quimioterapia porque não vale a pena. Só quem faz, sabe perfeitamente que há muito mais que isto.
 
Quarta etapa: a Radioterapia. De 25 sessões, para mim foi fácil, nada a ver com a Quimioterapia, excepto o cuidado em nos hidratarmos bem, e o mau tempo que fui apanhando, as nevadas, porque eu ia todos os dias de Chaves até ao Porto. Por isso rezava para que não houvesse nevadas pois era importante cada sessão de rádio.
 
Quinta etapa: final de tratamentos Braquiterapia dia 26 de Janeiro do ano 2010. Falarei dela depois.
 
Falar da doença hoje não me deixa triste. Pelo contrário fortalece-me cada vez mais. Aprendi que, estamos numa grande luta, podemos com tudo. Posso dizer, com tranquilidade, que em nenhum momento estive só. Tive o apoio de todos: amigos, família, filhos, e o meu marido, que foi, e é, quem sofreu mais com este pesadelo. Agradeço a Deus a oportunidade que tive de crescer como pessoa, de reaprender a dar o melhor de mim e a ser benevolente com o mundo.
 
 
Agradeço a todas as pessoas amigas que estiveram ao meu lado. Elas não me deixaram esquecer que Deus existe e que sempre está ao nosso lado nos bons e maus momentos. Agradeço, especialmente, ao meu marido. Mesmo sentindo medo ele deu-me a mão, e caminhou em todos os momentos ao meu lado.
A minha sincera homenagem a todos os que trabalham no “INSTITUTO DE ONCOLOGIA DO PORTO” que têm extrema generosidade, bondade e paciência.
 
 
Se relato este meu ano 2009, é porque foi um momento menos feliz da minha vida, mas que estou a ultrapassar com ajuda de todos, e quero deixar aqui o meu obrigado por tudo o que fizeram por mim.
 

 

 

Ana Bela Barroco

 

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