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ANITTA BARROCO

"AQUAE FLAVIAE"

"AQUAE FLAVIAE"

Eu gosto mas é do verão

<Chega o calor e instala-se a confusão. Por todos os lados, miúdas e mulheres de todos os estilos, atravessando todas as gerações, recuperam tops, calções e saias curtas dos seus armários. A febre da praia que dá cabo da pele e do cabelo funciona como um afrodisíaco poderoso; depois de um fim de semana a torrar sob o raios UVA e UVB, executivas e directoras comerciais, balconistas e enfermeiras, professoras e alunas regressam à rotina com aquilo a que se chama bom aspecto. E o bom aspecto, bronzeado e saudável, tem o condão de perturbar os homens que se encontram por perto. Um amigo meu, do tipo engatatão genético que nunca deixa de reparar numa mulher bonita seja em que circunstância for, comentava-me, num misto de prazer com desespero, que o Verão é um inferno e não é por causa do calor.

Com as mulheres passa-se a mesmíssima coisa. Embora a cultura latina nos tenha ensinado a abusar de parcimónia nos nossos comentários sobre os homens e o bom senso nos proíba de os pronunciar em frente aos maridos ou namorados, o Verão também não nos passa ao lado. Para muitas mulheres, representa um verdadeiro suplício ir ao ginásio e ver rapaziada a treinar de calções, beber uma sangria ao final da tarde numa esplanada junto ao rio ou no centro de qualquer cidade e ver o sexo oposto que se cruza pelo caminho com t-shirts dois números abaixo do que é suposto.

Ocalor puxa o espírito aventureiro e convida a actos inconsequentes. As férias, aquele período do ano em que uma pessoa tem de descansar e tem de se divertir – outra contradição lusa difícil de gerir – estão à porta e as escapadelas da rotina ganham outro encanto. As esplanadas nas praias transformam-se em autênticos viveiros de elevado interesse turístico e não só para novos e velhos, solteiros, casados, namorados e amigados. O mesmo acontece nas praias, piscinas ao ar livre, clubes nocturnos, festivais de música e todo o tipo de eventos. As pessoas andam tão atentas que até uma paragem num sinal de trânsito se pode transformar num encontro pseudo-amoroso.

A testosterona anda no ar e, entre ritmos afro-cubanos e hits mais ou menos caramelos que as rádios nacionais insistem em ressuscitar durante mais um Verão, há uma sensação no inconsciente colectivo de acordar para a vida. É o Verão a chegar e a abanar o sistema imunitário da fidelidade. 
Vale a pena combater a força da mãe natureza? Talvez, mas é como deixar encher uma barragem até ao limite; o risco de rebentarem as comportas aumenta de dia para dia.
E depois, salve-se quem puder.>

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