Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

ANITTA BARROCO

"AQUAE FLAVIAE"

"AQUAE FLAVIAE"

Sonetos : VIVER A VIDA

Das agruras que a vida me deu,
Somente a esperança restou,
A mim próprio se comoveu,
E não outro por mim só aqui estou.

Tinha muito que dizer desta vida,
O quanto em mim ela me pesou,
Mas, a dada altura, ela foi vivida,
E o que era duro leve se tornou.

Ainda hoje me pergunto o porquê
De tanta incongruência assim,
Se tudo o que visionava perto se vê,

Quando descobri que é melhor viver
Do que morrer em vida aqui,
Onde cabe-nos apenas enaltecer.


 

 

Jorge Humberto

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4745

 

~ Soneto 17 ~

 

 

 

 

 

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

 

William Shakespeare

 

A alma

 

Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando,

Se foi a nuvem de ouro ideal que eu vira erguida;

Depois que vi descer, baixar do céu da vida

Cada estrela e fiquei nas trevas laborando:

 

Depois que sobre o peito os braços apertando

Achei o vácuo só, e tive a luz sumida

Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida

A flor do meu jardim, que eu mais andei regando:

 

Retirei os meus pés da senda dos abrolhos,

Virei-me a outro céu, nem ergo já meus olhos

Senão à estrela ideal, que a luz do amor contém...

 

Não temas pois - Oh vem! O Céu é puro, e calma

E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma...

A alma! Não a vês tu? Mulher, mulher! Oh vem!

Antero de Quental

 

DA ANTIGA VÉNUS

Aquela que eu adoro não é feita

De lírios nem de rosas purpurinas,

Não tem as formas lânguidas, divinas,

Da antiga Vénus de cintura estreita...

 

Não é a Circe, cuja mão suspeita

Compõe filtros mortais entre ruínas,

Nem a Amazonas, que se agarra às crinas

Dum corcel e combate satisfeita...

 

A mim mesmo pergunto, e não atino

Com o nome que dê a essa visão,

Que ora amostra ora esconde o meu destino...

Antero de Qental

 

É como uma miragem que entrevejo,

Ideal, que nasceu na solidão,

Nuvem, sonho impalpável do Desejo...

 

 

 

NO CÉU

No Céu, se existe um céu para quem chora,

 Céu para as mágoas de quem sofre tanto...

 Se é lá do amor o foco, puro e santo,

 Chama que brilha, mas que não devora...

 

 

 No Céu, se uma alma nesse espaço mora,

 Que a prece escuta e enxuta o nosso pranto...

 Se há pai, que estenda sobre nós o manto

 Do amor piedoso... que eu não sinto agora...

 

 

 No Céu, ó virgem! Findarão meus males:

 Hei-de lá renascer, eu que pareço

 Aqui ter só nascido para dores.

 

 

 Ali, ó lírio dos celestes vales!

 Tendo seu fim, terão o seu começo,

 Para não mais findar, nossos amores.

ANTERO DE QUENTAL

 

MULHER

 

 Porque descrês, mulher, do amor, da vida?

 Porque esse Hermon transforma em Calvário?

 Porque deixas que, aos poucos, do sudário

 Te aperte o seio a dobra humedecida?

 

  

 Que visão te fugiu, que assim perdida

 Buscas em vão neste ermo solitário?

 Que signo obscuro de cruel fadário

 Te faz trazer a fronte ao chão pendido?

 

 

 Nenhum! Intacto o bem em si assiste:

 Deus, em penhor, te deu a formosura:

 Bênçãos te mandam o Céu em cada hora.

 

 E descrês do viver? E eu, pobre e triste,

 Que só no teu olhar leio a ventura,

 Se tu descrês, em que hei-de eu crer agora?

Antero De Quental

 

 

 

SONETO

 

 

 Pôs-te Deus sobre a fronte a mão piedosa:

 O que fada o poeta e o soldado

 Volveu a ti o olhar, de amor velado,

 E disse-te: «vai, filha, sê formosa!»

 

 

 E tu, descendo na onda harmoniosa,

 Pousaste neste solo angustiado,

 Estrela envolta num clarão sagrado,

 Do teu límpido olhar na luz radiosa...

 

 

Mas eu... posso eu acaso merecer-te?

 Deu-te o Senhor, mulher! o que é vedado,

 Anjo! Deu-te o Senhor um mundo à parte.

 

 

E a mim, a quem deu olhos para ver-te,

 Sem poder mais... a mim o que me há dado?

 Voz que te cante e uma alma para amar-te!

Antero de Quental

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

VISITAS

contador grátis

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D